
Os deveres são essencialmente desagradáveis, e
ainda me pergunto por que definimos o que queremos como dever?
Ter dever é assumir uma postura infantil, afinal
definimos, ou melhor, no passado distante em que as crianças negociavam pouco,
muito diferentes dos dias atuais, os pais definiam os deveres. E assim era ou
pelo menos parecia ser.
Quando você se coloca um dever tira para sua mente
ou cérebro como desejar, a oportunidade de ter poder para fazer, que em termos
de qualidade de vida e bem estar é muito mais saudável!
Existe para alguns uma crença de que quem tem
dever é gente importante. Quem tem dever limita sua experiência quando tira o
poder de escolher e assumir suas escolhas.
Escuto homens e mulheres com maturidade
cronológica falarem com a boca cheia que deve fazer isso, tem que agir assim, que
deve cobrar do marido, esposa, filho e funcionários, que tem que ser justo. Confesso
que só de ouvir já me da um pesar, imagine então ter que carregar todos os
deveres!
Habitualmente a pessoa quando tem deveres nem
existe a possibilidade de desprender se deles. Ou será que desprender-se
poderia abrir uma maravilhosa porta para que o querer venha fazer parte da sua
vida?
Caso você utilize muito o dever para definir o que
irá fazer, sabe exatamente o que estou descrevendo e talvez você ainda não
tenha se dado conta do quanto esses deveres lhe tiram a leveza para fazer o seu
querer.
Que por mais incrível que possa parecer o simples
fato de libertar-se do “tenho ou devo” e assumir a mesma atividade com o seu
querer muda a forma que sua mente organiza e vive a experiência.
Quando você assume que quer ser justo de acordo
com o que acredita que é bem diferente de “tenho que ser justo!”
A leveza de escolher como ser justo para com os
seus valores fica mais simples, menos desgastante, pois é uma escolha e você é
livre sempre para mudar quando desejar.
O fato de ser livre para mudar te faz responsável
pelas escolhas e resultados, o que na vida traz mais liberdade e prazer.
Quando nosso padrão mental tem a liberdade como
condutor ativamos a nossa criatividade, a flexibilidade e a segurança.
O preparo para lidar com uma situação quando se
define que se quer e de comprometimento e flexibilidade, o que faz com que
mesmo diante de grandes desafios exista motivação para seguir e persistir.
Agora o que muitas vezes intimida muitas pessoas
em colocar o seu querer com naturalidade diante das escolhas é que quando
queremos, estamos assumindo a responsabilidade de fazer o querer acontecer é,
para isso, muito importante a entrega para comprometer-se com você mesmo.
Uma pessoa que quer algo, se envolve, vai a busca
para concretizar tudo o que é valioso para sua realização ou de mais pessoas,
tem um sentido de propósito presente no querer que, o torna sempre mais
brilhante e leve do que o dever.
Vale ressaltar outro aspecto do dever que é a
rigidez, quando essa determinante está tão presente fica a atitude de batalha
que só o dever constrói e desgasta pessoas e, às vezes, relações.
Exemplo:
Devo ser uma boa mãe!
Devo ser boa esposa ou esposo!
Tenho que ser o melhor profissional!
Isso tenciona uma ação que em sua origem é de
amor, então posso ser mais flexível e ter maturidade comigo.
Quero ser uma mãe amorosa e que, ao mesmo tempo,
educa transmitindo valores e o poder de escolha para meu filho.
Quero ser uma esposa inteira e viver o amor pleno
numa relação com meu esposo.
Quero ser um esposo que vive o amor com entrega e
sinceridade, sendo feliz e permitindo que minha esposa seja feliz ao meu lado.
Quero ser um profissional que me realize
aprimorando minha atuação a cada dia, sendo melhor hoje comparada a minha
atuação de ontem.
Poder assumir sua própria realização e despir-se
de deveres é assumir os seus quereres!
Marcia Dolores Resende
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