Eloísa Vitz é diretora e atriz do Grupo Gattu a 11 anos. Cursou a EAD – Escola de Artes Dramáticas da USP, é Bacharel em Direito e Letras e Pós-Graduada em História da Arte e há algum tempo fez orientação em Programação Neurolinguística (PNL) para saber lidar com os desafios - tanto pessoais como profissionais - que a vida lhe proporcionava com maior sabedoria.
1- Quais foram as peças que te influenciaram?
Eu amo assistir peças, e nestes anos todos, muitas peças me
inspiraram. Vou destacar algumas: “A Gaivota” de Tchecov, “Contos de Sedução”
de Gyu Maupassant e “Vau de Sarapalha” de Luis Carlos Vasconcelos.
2- Qual foi a peça
que você encontrou mais desafios ao longo desses 13 anos de Grupo Gattu?
Olha, toda peça é um desafio enorme, é como pegar um barco
sem rumo e ir ao encontro do desconhecido. E talvez esse seja o encanto de
estar montando peças. Não achei peça fácil a ser montada!
3- Vocês utilizam técnicas corporais diferenciadas para a
montagem de suas peças. Como elas funcionam? Em que elas podem ajudar?
Cada peça é um desafio, então escolhemos um texto e a partir
mesclamos várias linguagens. Por exemplo, “O Auto da Barca do Inferno”, um
texto de Gil Vicente. Aprendemos esgrima e utilizamos para as cenas de luta e
ação. A esgrima nos trouxe disciplina, agilidade e precisão (um erro pode ferir
os atores). Já em “Dorotéia” de Nelson Rodrigues, utilizamos a técnica circense
de tecido. A personagem central entrava do alto do teatro pelo tecido. Além de
agregar beleza estética, havia a metáfora do risco, dos sonhos, dos vôos.
4- Como você relaciona o fato de ser pós-graduada em
História da Arte e o teatro?
Ah! Eu amo as artes plásticas, mas sou péssima com pincéis
(Risadas). Mas na cena me realizo pintando quadros. A luz dos meus espetáculos
é muito elaborada. Neste sentido a Artes Plásticas me inspira e me excita. Crio
a cena pintando meus quadros com a luz. Escolho as cores, a intensidade, a
maneira de posicioná-las e tudo isso contribui para criar a atmosfera mais
interessante para a cena.
5- O que te levou a procurar a orientação em PNL?
Havia tentado outros vários tipos de terapia e não tinha
sentido afinidade. Quando li algo sobre a PNL me interessei.
6- A PNL te ajudou de alguma forma ao longo desses anos?
Sim. Muito. A PNL para mim foi uma descoberta incrível,
porque trabalha com a excelência do ser humano. Sempre falo para os meus atores
que para fazer teatro é necessário gostar de gente. A PNL nos dá ferramentas
que se bem aplicadas trazem resultados surpreendentes. Ir ao encontro do que
nós temos de melhor é um caminho fascinante!
7- De que forma você utiliza para sua vida as técnicas
aprendidas na orientação em PNL?
A PNL para mim é um treinamento constante. Um jeito de olhar
a vida, uma maneira de remodelar minhas crenças para melhor. Um
auto-aperfeiçoamento. Estar aberta para o novo, aproveitar a fluidez da vida.
Ter olhos de amor comigo e com as pessoas que convivo. Pensar na estrutura das
falas e decifrar o que realmente elas querem dizer. Sou muito fã da PNL!
8- Como surgiu a ideia de fundar o Grupo Gattu?
Bom, eu era atriz do Grupo Tapa, e fui estudar em uma
universidade que não tinha grupo de teatro, então comecei a dar aulas para os
alunos desta universidade, que procuravam o teatro para melhorar seu desempenho
profissional, e assim comecei a dirigir os espetáculos. Foi bem por acaso. O
Grupo Gattu começou como um grupo amador, o que eu acho lindo, porque considero
a melhor maneira de começar um grupo de teatro que é amando! Depois de quatro
anos nos profissionalizamos.
9- E a ideia de um nome tão criativo? De onde veio?
Olha, também foi por acaso. Veio a ideia do gato que tem
sete vidas e é preciso muito fôlego pra fazer teatro, ter muitas vidas. E o
gato é um felino com muita personalidade.
10- A última peça em cartaz no Grupo Gattu (Frisante, de
Tito Sianini) recebeu elogios do tipo “A crítica à falta de ética dos herdeiros
nos remete aos acontecimentos políticos recentes em Brasília”, “No espaço
cênico o resultado é hilário, com gostinho de quero mais”. Como você lida com
críticas e elogios?
Olha, a minha relação com a crítica não é nada pacífica. As
aceito muito bem, boas ou ruins, se o crítico que as fizer elucidar
tecnicamente sua opinião. Gosto das críticas bem escritas, que analisem todos
os elementos do teatro: texto, iluminação, direção, figurino e interpretação.
Se for uma crítica mal escrita e tendenciosa baseada em “achismo” com
estrelinhas para tornar a peça vendável, detesto. Perceba que ensaiamos todos
os dias, seis horas por dia, por no mínimo uns nove meses, para montar um
espetáculo e vem alguém sem o menor critério avaliar minha peça?
11- Você é a favor da inclusão social no mundo artístico?
Claro! Muito. Em todos estes anos quando conseguimos aprovar
as Leis do Incentivo Fiscal, fizemos espetáculos gratuitos. Precisamos formar
platéia. É a nossa maneira de assumir a nossa responsabilidade e permitir o
acesso a cultura para todas as faixas sociais.
12- Você recomendaria a orientação em PNL?
Sim. Muito. Se você tiver oportunidade e condições, acho que
deveria investir. Penso que a PNL deve ser ensinada desde cedo para as
crianças.
13- Comparado ao passado, o que você acha que mudou após ter
feito a orientação em PNL?
Olha, sou uma artista e tenho tantos desafios pessoais e
profissionais que sem dúvida a PNL transformou meu jeito de olhar a vida. De
criar realidades dos discursos internos. Considero a PNL o encontro com a excelência!
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